18 de nov de 2015

Roda mundo, roda-gigante, rodamoinho, roda pião...





A gente quer ter voz ativa,
no nosso destino mandar,
mas eis que chega a roda-viva
e carrega o destino pra lá.



Ainda tentando organizar os pensamentos, pôr ordem na bagunça. Ainda tentando encontrar palavras para tocar no assunto tão inesperado e inacreditável. Ainda tentando assimilar mais essa reviravolta.

A gente vai contra a corrente até não poder resistir.

Olha, ainda tenho muita coisa pra aprender nessa vida. Mas se tem uma lição que está muito bem assimilada é a seguinte: nossos planos são mera fumaça. Ah, você pode planejar, esquematizar, idealizar todos os seus passos nos mínimos detalhes. Pode se agarrar aos seus planos e aos seus projetos como se seu chão dependesse disso. Mas quando a vida quer, ela chega e te sacode, te vira de ponta cabeça, e você só fica ali meio zonza tentando entender o que raios aconteceu.

Então, eu me rendo! Eu aceito. Virou tudo do avesso, mais uma vez. E é isso aí.

Faz tempo que a gente cultiva a mais linda roseira que há,
mas eis que chega a roda-viva e carrega a roseira pra lá.

De volta à estaca zero. Ao começo. Ao ponto de partida.
Meio assustador.
Mas também... um alívio.

A gente toma a iniciativa,
viola na rua, a cantar.
Mas eis que chega a roda-viva
e carrega a viola pra lá.

Ah, sim. Porque se você está num caminho que te faz mal e continua indo em frente, insistindo... o que de bom pode sair daí?

Talvez voltar ao começo não seja tão ruim, no fim das contas. Talvez seja até um ato de coragem. Porque aí, você pode pegar outro caminho. Um caminho melhor. O caminho certo, finalmente.


Mas claro, há sempre a possibilidade de errar de novo. De fazer escolhas ruins de novo, de juntar mais frustrações, e isso dá medo...

No peito a saudade cativa faz força pro tempo parar,
mas eis que chega a roda-viva e carrega a saudade pra lá...

Pois é. No meio de tanta incerteza, pelo menos uma novidade acalentadora: esperança.

As coisas estavam indo mal, poucos sabem o quanto. Mas agora podem começar a ir bem. Não sei como, nem quando, mas a possibilidade está aí.

Dessa vez eu quero fazer a coisa certa. E vou. Ah, se vou.

Torçam por mim.

3 de nov de 2015

Correção.

Sabe as coisas que falei no último post?

Então, elas pareciam estar dando certo. Mas, na verdade, estavam completamente erradas, isso sim.

Acho.

Confuso, sim ou com certeza?


Ai, cadê manual de instruções da vida adulta?

23 de out de 2015

Paradoxo.

Quando as coisas começam a dar certo.

Mas ainda assim, parecem tão completamente erradas...


Como faz?

15 de out de 2015

Despedidas felizes.

Tem dias que são terríveis.

Tem dia que a gente chega e encontra o ambiente pesado, a equipe com expressão carregada observando de longe a médica que faz o que pode para reverter o irreversível. Tem dia que se ouve, tão alto, o atípico silêncio. Tem dia que se vê uma mãe receber a pior notícia possível, que se ouve o seu choro à distância. Dia em que se vê um pai de olhos marejados ao lado de uma incubadora fria acariciando o corpinho do bebê que nunca pôde estar em seu colo... e nunca estará.

Sim, tem dias que são terríveis.

Mas também tem dias...

Tem dia que a gente chega e encontra aquela pequena guerreirinha finalmente fora do ventilador mecânico. E depois, fora de qualquer suporte de oxigênio. Dia em que os exames mostram a saúde chegando, em que as imagens revelam, orgulhosas, pulmões bonitos de se ver. Dia em que as sondas de alimentação vão embora e ela pode mamar. Dia em que a ausculta soa limpa, em que a sonda de aspiração sai quase seca, dia em que você se dá conta que mais aquela pequena dose rotineira de sofrimento também está ficando para trás. Dia em que você canta para ela, e ela olha nos seus olhos. Dia em que a pequenina pode sair daquela fria caixa aquecida de acrílico e ganhar um colinho aconchegante, como qualquer bebê. Dia em que a mãe traz a roupinha do enxoval, guardada há longos dias de espera. Dia em que ela é vestida como uma boneca e lhe colocam um laço tão grande e tão bonito... Dia de sorrisos, de esperança. Dia de dever cumprido.

O dia da alta.

O melhor dia.

Pequenina, tão especial... Que posso dizer? Nesse curto período, você me marcou com sua vidinha e com sua bravura. Papai do Céu preservou sua vida, e tudo o que eu espero é que ela seja linda daqui para a frente. Que sua mãe tenha sabedoria e amor para cuidar de você. E que você seja muito, muito feliz.

13 de out de 2015

Não me dê só parabéns.

Hoje é 13 de Outubro. Dia do fisioterapeuta.


A profissão que eu escolhi meio sem ter certeza, e na qual continuo aos trancos e barrancos, apesar dos pesares. Uma profissão tão bonita, mas tão difícil no nosso contexto atual.

Para mim, um dia de reflexão...

Não, não quero receber apenas parabéns e elogios.

O que quero são condições decentes de trabalho. Quero um piso salarial justo e digno, e quero que o cumprimento desse piso seja sempre fiscalizado. Quero a segurança das leis trabalhistas respeitadas. Quero benefícios - os obrigatórios e os extras, por que não? Quero o fim dos subempregos, da exploração que só faz prejudicar profissionais e pacientes. Quero que denúncias sejam investigadas seriamente e que discrepâncias sejam corrigidas. Quero respeito dos planos de saúde e um pagamento justo pelos serviços prestados. Quero a mudança desse modelo cruel que muitas vezes obriga o profissional a olhar mais para a quantidade do que para a qualidade dos atendimentos. Quero concursos públicos com vagas suficientes para atender à demanda da população que hoje se vê praticamente sem alternativas.

Quero uma classe unida, que lute junta por seus direitos. Quero que desapareça das nossas bocas esse discurso de que a fisioterapia está do jeito que está por culpa dos profissionais que se sujeitam a condições de trabalho ruins. Porque afinal, quem em sã consciência aceitaria um emprego ruim se não estivesse em situação de plena necessidade? A corda arrebenta do lado mais fraco... por isso repito: não, a culpa não é do profissional. As leis trabalhistas foram criadas tantos anos atrás justamente para proteger os trabalhadores deste tipo de situação. Eles não são os réus desse julgamento, são as vítimas.

E se um colega de profissão é desrespeitado nos seus direitos, não somos todos nós?

Então o que eu quero mesmo, hoje e sempre, mais do que textos bonitos nas redes sociais, é a real valorização da fisioterapia.

Por enquanto, é apenas um ideal.... um ideal que, como classe, só vamos alcançar unidos. Juntos.

Vamos?

11 de out de 2015

Conselho #6

Se afaste de gente que você sente que precisa impressionar. Afinal, se você precisa vestir máscaras para se relacionar com alguém, qual é o sentido? Não deixe de ser você mesma para conseguir a aceitação de quem quer que seja, você merece mais do que isso. Quem gosta de você de verdade vai aceitar o pacote todo, até os defeitos e erros de percurso... E quer saber? Esses são os relacionamentos que realmente valem a pena ser vividos. O resto é resto. Vai por mim.

6 de out de 2015

Só por hoje.

Ei, menina. Só por hoje, faz o seguinte...

Varre o medo do futuro pra debaixo do tapete. Tranca as dúvidas do lado de fora - elas vão bater, espernear, querer voltar, mas não deixa, não. Pega o peso da responsabilidade, e chuta ele pra longe. Junta as frustrações, embola elas bem emboladinhas e joga no fundo da lata de lixo. Tira os sapatos sujos da rua, curte os pés descalços no tapete fofinho da sala. Fecha os olhos e respira fundo, curte a leveza, a liberdade. Sacode essa poeira e esse ranço. Abre um sorriso, que ainda é de graça. E canta, como se os vizinhos não estivessem ouvindo. E dança, até perder o fôlego. Que é que tem de mal? Só por hoje. Depois a realidade volta, ela sempre volta, mas agora apenas aproveita o momento. Vai ser feliz enquanto a vida te dá uma trégua pra ser feliz, menina.

Que mal tem isso?

28 de set de 2015

Devaneio.

Faz de conta que é época de Natal.

Árvore montada, enfeites brilhantes, presentes surpresa. Luzinhas por todo o lado. Música típica, cafona e reconfortante. Lembranças boas. Natal carioca de dia meio nublado, meio mormacento, o ar abafado aplacado pelo fresquinho dos ventiladores com seu zumbido familiar ao fundo. Na cozinha, atividade: forno aceso, cheiro gostoso. Na parede do canto, um piano que não vive mais silencioso. No chão, um cachorro serelepe. Na carteira, o suficiente. Na programação, a tão sonhada viagem. No ar, a expectativa, ele logo vai chegar e mal posso esperar. No peito, suspiros. Nas pessoas, o amor. Na rotina, conforto. No futuro, esperança. E no coração, paz. Finalmente.

Na balbúrdia, um olhar ao redor, um sorriso comedido no canto nos lábios. E um pensamento: Deu tudo certo, afinal. Ah, se deu.

Apenas faz de conta... Mas podia ser verdade, né?


Tô viva.

Só avisando, mesmo.

Depois de mais de um ano sumida... né?

Só isso.

Beijos.