20 de fev de 2013

O piano e eu.

Confesso que nem me lembro quando surgiu em mim a vontade de aprender a tocar piano. Mas sei que faz muito, muito tempo... Lembro quando era pequena e ficava espiando de longe o piano da igreja, quando me escondia e arriscava dedilhar algumas teclas com medo de ser pega em flagrante, como se estivesse cometendo um crime ou algo assim. Ah, crianças.

Convenhamos: talento, eu não acho que tenho. Sou bem realista nesse aspecto. Dedicação também me falta, admito: é o velho caso da falta de tempo, ou da preguiça, mesmo. Mas vontade e amor, isso tenho de sobra.

Vivo aos trancos e barrancos com o piano - e olha que já faz uns dois anos desde que nos aproximamos, entre várias indas e vindas. Minha paixão não parece ser recíproca. O piano me maltrata, me dá uma surra toda vez que chego perto. Eu tento dominá-lo, madar nele, mas ele é muito rebelde. Saio exausta após nossos embates... porém, ainda assim, feliz. Como pode ser?

É verdade, o piano é um companheiro difícil e temperamental. Mas quer saber? Vale a pena estar com ele. Porque enquanto aprendo música, aprendo também outras coisas...

Perseverança, por exemplo. Afinal, sempre que pego uma partitura nova é a mesma cena: erro, empaco, sofro, não consigo tocar nem as primeiras notas. Penso que aquela ali é difícil demais, que dessa vez não vou conseguir. Mas basta escolher persistir, me esforçar... e, eventualmente, consigo. Até hoje, sempre consegui, ainda que a passos de tartaruga manca com reumatismo. O que também me ensina superação. E aceitação. Porque por mais que você treine, por mais que faça certo várias vezes, você também erra, não tem como escapar. E para uma perfeccionista inveterada feito eu, aceitar os erros é complicado...

Mas tem a melhor parte, é claro: a satisfação, o prazer indescritível de formar com as suas próprias mãos uma melodia que te aquece a alma, faz brilhar seus olhos e te emociona. Isso não tem preço.

Pois é, meu caríssimo piano... esse post é só para dizer obrigada. Porque além de alegrar meus dias com sua música fantástica, você ainda encontra um tempo para me ensinar a viver.

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5 de fev de 2013

Conselho #2

Tenha sempre um plano B. Você pode precisar.