27 de dez de 2013

Quase 25.

Daqui a uma semana faço aniversário. Oito dias, e terei 25* anos.

Digamos que estou passando por uma espécie de "crise dos 20". (Isso existe?) Ando questionando por que estou tão distante de tudo aquilo que sempre quis pra mim, por que não sou a pessoa que achei que seria aos 25 anos. Tentando entender o que realmente quero da vida, e o que preciso fazer para conseguir. Tentando enxergar o que está faltando. Parece que ainda falta tanto...

Faço minhas as palavras da Sandy - não estou fazendo 30 anos, mas me sinto do mesmo jeito:

Acabou a brincadeira, e aumentou em mim a pressa de ser tudo o que eu queria e ter mais tempo pra me exercer. Tenho sonhos adolescentes, mas as costas doem. Sou jovem pra ser velha, e velha pra ser jovem. [...] E há pouco eu tinha quase 20... Tantos planos eu fazia! E eu achava que em dez anos viveria uma vida, e não me faltaria tanto pra ver.

E ainda por cima hoje, lendo causalmente o livro da vez - Não Faz Sentido: Por Trás da Câmera, do Felipe Neto - me deparo com o seguinte trecho:




Ok, quanta coincidência há nisso? Qual é a probabilidade de você escolher um livro aleatório para ler, e justamente quando faltam exatamente oito dias para o seu aniversário de 25 anos (e você, inclusive, já estava surtando levemente no Twitter mais cedo por isso), você vira a página e se depara com um trecho desses, descrevendo exatamente sua situação e seu sentimento? É um sinal, só pode! :P Se bem que, se foi um sinal, não captei a mensagem, só mesmo a coincidência. Desculpa aí, vida.

* * *

Enfim. Meus 25 anos estão chegando, e como já falei várias vezes no meu Twitter pessoal: não estou preparada. Gostaria de parar o relógio para poder me organizar antes de seguir em frente, ou mesmo voltar no tempo um pouquinho - fazer coisa diferentes, escolher coisas diferentes... Como seria?

Mas o "como seria" não existe, não é mesmo? Só o "como será". E o relógio com certeza não vai parar para esperar minhas inseguranças passarem, ele vai seguir em frente como sempre segue. Só me resta correr atrás dele... e tentar tirar o atraso, recuperar o tempo perdido.

Eu consigo. Sei que consigo.

Feliz aniversário para mim.

* Ou, como gosto de chamar: 1/4 de século. O que provavelmente decorre dessa minha tendência estúpida de me achar velha. :)

Seis coisas que eu faria se tivesse dinheiro.

(não necessariamente em ordem de importância)

1. Aulas de canto.

2. Voltar às aulas de piano (mais uma vez).

3. Aulas de dança.

4. Voltar à Itália.

5. Ir a NY assistir um musical na Broadway.

6. Comprar uma casa na região serrana (ou em qualquer outra cidadezinha mais pacata e menos calorenta que o Rio de Janeiro).


http://weheartit.com/entry/18237592

All the things I could do if I had a little money, it's a rich man's world.


~ E você, o que faria se tivesse mais dinheiro? ;)

22 de dez de 2013

50 perguntas para abrir a sua mente #5

Último post fechando as questões do meme 50 perguntas para abrir a sua mente, que peguei no blog da Cinthya Rachel.

Se quiser ler as perguntas anteriores, é só clicar: #1, #2, #3 e #4.



* * *

41. Se você soubesse que todo mundo que você conhece fosse morrer amanhã, quem você visitaria hoje?

Tem que escolher uma pessoa só? Cruel, hein... Essa eu passo.

42. Você diminuiria sua expectativa de vida em dez anos para se tornar alguém famoso?

Definitivamente não. Se bobear, eu diminuiria minha expectativa de vida em dez anos justamente para não me tornar famosa...

43. Qual é a diferença entre estar vivo e realmente viver?

Estar vivo é levantar da cama todos os dias, trabalhar, respirar, comer, dormir, se mexer, manter a máquina do corpo funcionando. Viver é encontrar um sentido em tudo isso... algo que faça o esforço valer a pena.

44. Quando é a hora de parar de calcular riscos e recompensas, e simplesmente seguir em frente e fazer o que acredita ser correto?

Quando os cálculos começarem a te deixar com mais dúvidas do que certezas.

45. Se nós aprendemos com nossos erros, por que estamos sempre com medo de cometer um erro?

Porque somos bobos, basicamente. E porque temos muito medo do que os outros vão pensar ao nos verem errando...

46. O que você faria de diferente se soubesse que ninguém iria te julgar?

Ah, tantas coisas! Dançaria, flertaria, comeria, pensaria, falaria, mostraria... viveria. ;)

47. Quando foi a última vez que você percebeu a som da sua respiração?

Agora há pouco... Para quem gosta do silêncio como eu, isso é fácil.

48. O que você ama?

Posso fazer uma lista? Mais fácil vocês lerem aqui.

49. Daqui a cinco anos, você irá se lembrar do que você fez ontem? E um dia antes? E outro dia antes?

Se não aconteceu nada de diferente, por que eu lembraria?

50. Decisões estão sendo tomadas agora. A questão é: você está tomando-as por si mesmo, ou está deixando que outros as tomem por você?

Não estou deixando que tomem decisões por mim, mas também não posso dizer que tenho decidido muitas coisas... No momento, me sinto estagnada, parada. E sinto que o único jeito de sair disso é justamente tomando algumas decisões e colocando-as em prática. Juntando coragem... daqui a pouco é mais um ano que começa, sempre é tempo, não? ;)

Fim.

15 de dez de 2013

50 perguntas para abrir a sua mente #4

Penúltimo post com as questões do meme 50 perguntas para abrir a sua mente, que peguei no blog da Cinthya Rachel.

Se quiser ler as perguntas anteriores, é só clicar: #1, #2 e #3 .



* * *

31. Em qual fase no seu passado recente você se sentiu mais apaixonado e vivo?

Caramba, que pergunta... Estou pensando aqui, mas simplesmente não consigo pensar em uma resposta. Faz tempo que não me sinto realmente "apaixonada e viva". Acho que uma fase próxima a isso foi quando viajei para Buenos Aires no começo do ano. Turistar, conhecer lugares novos, ir para longe da rotina, estar com companhia agradável... tudo isso faz sempre muito bem, renova as energias.
Mas também tem outra coisa que definitivamente sempre me faz sentir feliz, viva e apaixonada: a música. Minhas aulas de piano (que saudade, meu Deus! :/), cantar no coral, cantar até no chuveiro... Ah, a música.

32. Se não agora, quando?

Um dia. Tenho fé!

33. Se você ainda não alcançou aquilo que procura, o que você tem a perder?

É verdade, não? Não faz o menor sentido ter tanto medo de arriscar, se você não tem nada de realmente valioso a perder caso não dê certo...

34. Você já esteve com alguém e não disse nada, mas saiu sentindo que teve a melhor conversa da vida?

Que eu me lembre, ainda não. Ainda.

35. Porque religiões que apoiam o amor causam tantas guerras?

Porque os homens não entendem nada, e estão muito mais preocupados em julgar e apontar o dedo do que praticar o amor ao próximo.

36. É possível saber, sem dúvidas, o que é bom e o que é mau?

Na maior parte das vezes, sim. Acho que são raros os casos em que esses conceitos podem ser realmente questionados. Hoje em dia as pessoas adoram relativizar tudo, mas eu, pessoalmente, acredito que o ser humano sempre tem consciência do que é bom e do que não é, e tem a opção de basear suas escolhas nessa consciência.

37. Se você ganhasse um milhão de dólares, você pediria demissão?

Com certeza. E aí, iria me dedicar às coisas realmente importantes, às coisas que me fazem feliz. Às vezes a gente gasta tanto tempo e energia correndo atrás de dinheiro, e quando percebemos, nem ao menos conseguimos usufruir dele. É meio absurdo, quando você para pra pensar.

38. Você prefere ter menos trabalho para fazer, ou mais trabalho sobre o que gosta de fazer?

Como ainda não tive a experiência de trabalhar com algo que seja realmente uma paixão, fica difícil responder. Portanto, no meu momento atual, prefiro ter menos trabalho; porque aí me sobra tempo para dedicar ao que eu realmente gosto de fazer.

39. Você já sentiu que viveu um dia 100 vezes antes?

Acho que sim. Às vezes a rotina pode mesmo causar essa sensação de dias iguais...

40. Quando foi a última vez que você andou na escuridão com apenas uma pequena faísca que você realmente acreditava?

Pouco tempo. Posso dizer que foi ontem? :P

Continua...

6 de dez de 2013

50 perguntas para abrir a sua mente #3

Mais questões do meme 50 perguntas para abrir a sua mente, que peguei no blog da Cinthya Rachel.

Se quiser ler as perguntas anteriores, é só clicar: #1 e #2.



* * *

21. Você prefere ser um gênio preocupado ou um simples pateta?

Tenho a sensação de que um simples pateta consegue ser muito mais feliz que um gênio preocupado, portanto, acho que é o que eu preferia ser. Mas não sou. Quanto à parte do "gênio" não tenho certeza, mas quanto à parte do "preocupado", é 100% eu. E te digo uma coisa: é estafante ser assim. ¬¬'

22. Porque você é você?

Porque Deus quis? E acho que só Ele mesmo que me quis assim, porque olha... Até eu preferia uma versão mais light de mim mesma! :P

23. Você é o tipo de amigo que você quer como amigo?

Cá entre nós, esse é o tipo de pergunta em que duvido alguma pessoa ter coragem de responder "não". Mas, enfim: acho que sim. Não que eu seja uma amiga perfeita - tenho minhas chatices como todo mundo, mas tento ser boa o suficiente. E sou leal, coisa rara hoje em dia. O problema de ter uma amiga como eu seria encontrar alguma coisa para conversar, já que sou a pessoa mais sem assunto ever! :P

24. O que é pior: quando um grande amigo se muda, ou perder contato com um grande amigo que mora bem perto de você?

Perder contato com alguém próximo. Acho esse tipo de afastamento tão triste...

25. Pelo que você é mais grato?

Confesso que já fui mais sensível a essa questão da gratidão pelas coisas boas que tenho. Hoje em dia penso pouco nisso - o que não é bom, pois um olhar de gratidão sobre a vida definitivamente deixa a gente mais feliz sem falar que diminui consideravelmente a quantidade diária de mimimi... Mas, enfim: quando penso, sempre sou grata pela família em que nasci, pela minha saúde, pelo meu conforto material... há tantas coisas para agradecer quando a gente pensa a respeito, não?

26. Você prefere perder todas suas velhas memórias ou nunca ser capaz de ter novas?

Prefiro não ter que passar por nenhuma das duas situações. Ambas seriam realmente terríveis.

27. É possível saber a verdade sem desafiá-la primeiro?

Acredito que sim. Ou alguém aí sente necessidade de tomar veneno só para saber se é verdade que ele mata?

28. O seu pior medo se tornou realidade?

Nem sei bem qual é o meu pior medo, tenho tantos... E entre eles, sim, alguns são reais no momento. Mas acredito que não precisam continuar sendo verdadeiros para sempre. Enquanto há vida, há tempo de consertar certas coisas, e eu ainda não estou pronta para dar um veredito tão fatídico e dizer que tais medos são reais, que não têm mais jeito. Alguns podem até estar reais. Mas não são reais. Não ainda.

29. Você se lembra aquela vez que você ficou extremamente chateado há cinco anos?

Buscando na memória, até encontrei coisas que me chatearam bastante há cinco anos atrás. Mas agora, parecem tão distantes... Aliás, essa é uma lição que venho aprendendo: não há mal (ou bem, também) que dure para sempre. Uma hora tudo passa, e quando você menos espera, percebe que aquilo que te perturbou tanto de repente não tem mais importância alguma.

30. Qual é a lembrança mais feliz da sua infância? O que a torna tão especial?

Não sei. A infância, em geral, foi tão feliz! A inocência, a despreocupação com o futuro... a certeza de que tudo daria certo... Enfim. Algumas das minhas lembranças mais felizes envolvem festas de fim de ano e aniversários. Presentes. Minha cachorrinha. Brincadeiras - sozinha, ou com os amigos. Passeios. E etc.

Continua...

28 de nov de 2013

50 perguntas para abrir a sua mente #2

Continuando o meme de 50 perguntas para abrir a sua mente, que peguei no blog da Cinthya Rachel.

Se quiser ler as perguntas anteriores, clique aqui.



* * *

11. Você está almoçando com três pessoas que respeita e admira. Eles começam a criticar um amigo próximo, sem saber que você é amigo dele. O criticismo é estranho e injustificável. O que você faz?

A princípio fico constrangida e quieta, na minha. Não opino, e espero que percebam meu silêncio e deixem o assunto de lado. Mas se persistirem, acabo fazendo algum comentário manifestando minha discordância.

12. Se você pudesse dar um conselho para uma criança que acabou de nascer, qual seria?

Aproveite a vida, porque ela passa rápido demais. E preste muita atenção nas suas escolhas, porque cada uma delas vai influenciar o resto dos seus dias... e escolhas erradas nem sempre podem ser totalmente consertadas.

13. Você quebraria uma lei para salvar uma pessoa que ama?

Sou muito medrosa. Mas, nesse caso, acho que sim... Não tenho certeza. Só mesmo diante da situação para saber.

14. Você já viu insanidade onde depois você viu criatividade?

Não que eu me lembre.

15. O que é aquela coisa que você sabe que faz diferente da maioria das pessoas?

Não faço idéia. Só sei que sou esquisita. :P

16. Quais são as coisas que te fazem feliz, mas não fazem todo mundo feliz?

Dias frios. Cheiro de fumaça de lenha queimando. Chuva batendo na janela. Piano. Musicais. Museus. História. Cheiro de livro novo. Livros em geral. E mais um montão de coisas. ;)

17. Qual é a coisa que você ainda não fez e que gostaria de fazer? O que te impede?

É segredo. E quanto ao que me impede: medo, preguiça, acomodação, falta de oportunidade...

18. Você está se segurando em alguma coisa que você precisa se desfazer?

Sim. Um punhado de coisas, na verdade. Mas estou tomando coragem pra jogar tudo para o alto. Uma hora eu consigo.

19. Se você tivesse que se mudar para um estado ou país além daquele que você mora, para onde você iria e por quê?

Itália, mil vezes Itália. Por causa de um passado de muito amor, das lembranças de uma das épocas mais felizes da minha vida. Na minha cabeça, Itália virou sinônimo de felicidade.

20. Você aperta o botão do elevador mais de uma vez? Você realmente acredita que ele fica mais rápido?

Às vezes, sim... Mas não é por pressa - é pra ter certeza de que apertei mesmo. Ou será que só eu já fiquei que nem uma tonta esperando um elevador, pra só depois me dar conta de que não tinha apertado o botão direito, e por isso ele nem estava vindo? :P


Continua...

19 de nov de 2013

50 perguntas para abrir a sua mente #1

Sabe que eu sinto uma certa falta dos selinhos e memes antigos, daqueles que eu costumava responder na época do finado adormecido Coisas Minhas? É verdade que chegou um tempo onde começaram a surgir montes deles, e o negócio acabou enjoando. Mas de vez em quando, é divertido. Especialmente quando você acha um que vale a pena...

Encontrei esse aqui no blog da Cinthya Rachel (eu iria completar com um "a Biba do Castelo Rá-Tim-Bum" - mas acho que ela já superou essa fase há muito tempo e não deve curtir muito comentários assim), e amei. Vou responder. Mas como acho cinquenta perguntas muita coisa pra um post só, vou dividir, se não se importam.



* * *

Então, vamos lá. Perguntas para abrir a minha mente...

1. Qual seria a sua idade se você não soubesse quantos anos você tem?

Que vergonhoso, mas às vezes sinto que parei na minha dramática adolescência. Eu diria uns dezesseis anos.

2. O que é pior: errar ou nunca tentar?

Tenho a sensação de que a resposta correta para essa pergunta seria "nunca tentar". Mas a verdade é que, no meu dia dia... acho pior errar. Infelizmente. Bobeira, não?

3. Se a vida é curta, porque fazemos muitas coisas que não gostamos e gostamos de muitas coisas que não fazemos?

É uma pergunta que eu sempre faço a mim mesma. E ainda não encontrei uma resposta satisfatória.

4. Quando tudo foi dito e feito, você disse mais do que fez?

Com certeza. Meu sobrenome inclusive poderia ser Fala-Muito-Faz-Pouco.

5. Qual é a coisa que você mais gostaria de mudar no mundo?

Daria uma injeção bombástica de empatia na humanidade. Gente que é capaz de se colocar no lugar do outro respeita, ajuda, não mata, não destrói, não incomoda. Cada vez mais me convenço de que é disso que o mundo precisa: empatia.

6. Se felicidade fosse a moeda nacional, que tipo de trabalho o tornaria rico?

Viajante profissional. Ouvinte de música. Gastadora de dinheiro. Leitora frenética. Comilona voraz. Enfim, há uma ou outra possibilidade. ;)

7. Você está fazendo o que você acredita, ou você está regularizando o que você está fazendo?

Não sei - na verdade, nem entendi direito a pergunta! :P Mas sei que não acredito totalmente em tudo o que estou fazendo nos últimos tempos...

8. Se a média de vida humana fosse de 40 anos, como você viveria sua vida?

Se fosse assim, eu só teria mais uns quinze anos de vida pela frente. Uau. Não sei... gosto de pensar que viveria de forma completamente diferente. Amaria mais, me entregaria mais, arriscaria mais, faria mais, me importaria menos... Quem sabe? No fundo, duvido. Afinal, quem garante que não tenho mesmo só mais quinze anos de vida pela frente? Ou dez, cinco? Um dia? Tanto faz. Viver intensamente e aproveitar o tempo tendo a consciência de que ele passa muito rápido é um dom admirável, que poucos têm.

9. Até que nível você acredita que controlou o curso que sua vida tomou?

Um nível muito baixo. Penso nas coisas que sempre quis e nas coisas que de fato alcancei, e o abismo entre esses dois extremos me choca. Talvez eu esteja fugindo da responsabilidade, mas realmente não sei até que ponto a culpa foi minha. Às vezes acho que a estrada da minha vida foi me levando por um caminho, e todas as vezes que tentei sair dele e tomar outro rumo, simplesmente não consegui. Até que parei de tentar, e agora estou vendo onde tudo isso vai dar. Deixa a vida me levar...

10. Você está preocupado em fazer as coisas corretamente ou fazer as coisas certas?

As duas coisas. Acho que dá para conciliar.

Continua...

10 de nov de 2013

Conselho #5

Se você alcançou uma posição melhor na vida, não comece a esnobar quem te ajudou a chegar lá. Pare de se achar tanto! Não queira ser o último cookie do pacote, porque esse daí geralmente fica quebrado... e sempre sozinho, antes de se acabar de vez.

26 de out de 2013

Sem lenço e sem documento.

Eu sou dessas que vive tendo pensamentos de um dia simplesmente ir embora.

Já idealizei isso tantas vezes na minha cabeça! Apenas ir embora, sem me preocupar com nada. Que se danem as responsabilidades, o emprego, as pessoas, a coisa toda. Acordar um dia, ir ao banco e pegar todas as sensatas economias de uma vida, limpar a conta. Comprar uma passagem só de ida para algum lugar bem longe, não planejado. E ir embora. Sem lenço e sem documento, sem saber o que vai acontecer depois.

Imagine só, ir embora! Não precisar mais ver um monte de gente chata que não acrescenta nada na vida, gente que você adoraria não ter que ver mais. Ir pra longe até de quem você ama de verdade, mas que às vezes te sufoca com um monte de expectativas. Ir pra longe de lembranças ruins e amarguras. Pra longe de uma rotina que muitas vezes não tem sentido algum. Mudar de ares, de rumos, dar adeus aos dias iguais e sem graça, cheios de obrigações e tão carentes de prazeres.

Ir para bem longe. Pra um lugar interessante, bonito, empolgante. Conhecer gente nova. Ganhar dinheiro para a próxima viagem como der, fazendo uns bicos aqui e ali. Dormir onde der, comer onde der. Uma mochila nas costas, e a liberdade nas mãos.

Adiós, bitches. Hasta la vista, baby. Arrivederci. Au revoir. Até nunca mais, tchau, fui, beijo pra família.

* * *

Mas claro, esse tipo de coisa fica só no pensamento, mesmo. Ir embora e viver uma vida sem raízes, ainda que temporariamente, é para poucos. É para os ousados, os corajosos, os que não se importam com o julgamento alheio. Para os que não tem medo do desconhecido. Para os que não se importam em perder o controle das coisas de vez em quando.

Em outras palavras, para os que não são como eu. ;)

E outra: o problema de ir embora é que, não importa o quão longe você vá, você irá consigo. E a vida às vezes ensina - da forma mais irritante, inclusive - que muitas vezes o problema não é o lugar, o trabalho ou as pessoas, mas sim você. Pura e simplesmente. E como não dá pra ir embora sem se levar junto...

Então, não. Acho que ir embora não é pra mim, no fim das contas.

Mas ainda assim... eu gostaria. E continuo pensando nisso, sempre que a vida fica chata demais, pesada demais. Fico imaginando... e imaginando... e imaginando.

Quer saber? Provavelmente não vai acontecer nunca, mas gosto de pensar que, um dia, eu vou. Vou me armar de ousadia, com a cara e a coragem, e apenas vou. Vou para bem longe, por tempo indefinido, até cansar e querer voltar. Vou pegar minha mochila, e adiós, bitches!

* * *


Caminhando contra o vento, sem lenço sem e documento, num sol de quase dezembro, eu vou. Por entre fotos e nomes, os olhos cheios de cores, o peito cheio de amores vãos, eu vou. Sem lenço, sem documento, nada no bolso ou nas mãos, eu quero seguir vivendo, amor...

Eu vou, por que não? Por que não? Por que não?

20 de out de 2013

Sobre ser super.

Eu acho que todo mundo algum dia já se imaginou tendo um superpoder. Quero dizer, vamos combinar: quem não gostaria de poder ter uma habilidade fora do normal pra ajudar a contornar as dificuldades do dia a dia?

Uns gostariam de voar. Outros, de poder ficar invisíveis. Outros prefeririam força suprema, inteligência fora do comum, a capacidade de ler mentes...

Um superpoder é sempre bem vindo, claro. Mas se pudesse escolher, o que eu queria mesmo era poder me teletransportar.

Já imaginou que beleza?

Nunca mais iria ficar presa no trânsito - com um pensamento já estaria onde preciso estar. Economizaria uma fortuna com passagem, combustível e etc. Teria mais tempo livre. Poderia dormir mais. E com certeza viveria menos estressada.

Poderia conhecer o mundo! Itália, França, Grécia, Japão, China, não importa: é só querer estar lá e estar. Sem avião apertado, sem estresse de aeroporto, sem nada.

Aliás, poderia conhecer absolutamente qualquer lugar, seja ali na esquina, ou do outro lado do planeta.

Está vindo aquele mala do outro lado da rua? Aquele desafeto? Aquele semi-conhecido chato? Aquele parente distante sem-noção? Daria para escapar deles em um piscar de olhos, e eles nem perceberiam sua fuga (bom, e se percebessem tanto faz, você não iria mais estar lá, mesmo).

Está na rua, e está apertado para ir ao banheiro? E não tem banheiro nenhum por perto? Com o poder do teletransporte, você nunca mais passaria por apertos desse tipo.

Super herói que se preze não faz coisas erradas, claro. Mas acho que eu não resistiria a aproveitar umas escapadinhas do tipo:

Me teletransportar para a beirada do palco no show do meu artista favorito.

Me teletransportar para pré-estréias de filmes ou peças onde só gente VIP tem convite.

Me teletransportar para lugares públicos - como museus, pontos turísticos e outros - fora do horário de funcionamento, pra poder ver tudo com calma, sem ninguém fazendo barulho e enchendo a paciência.

Entre outras milhares de coisas. Sei lá, são tantas as possibilidades! Só sei que em várias ocasiões do meu cotidiano eu já me peguei pensando: ah, se eu pudesse me teletransportar agora...

Então, teletransporte: eu escolho você!

Alguém invente uma forma de tornar o teletransporte real, e logo, por favor. Grata.

* * *

~ Mas e você, me conta: em que gostaria de ser super? :)




6 de out de 2013

Como fazer #1

Como fazer para irritar um fisioterapeuta em poucas frases:

- Ah, então você é fisioterapeuta, é? Nossa, sabe que eu tô com uma dor horrível aqui no meu pescoço... o que você acha que é, hein? Bem que você podia me fazer uma massagem depois... ah, e o que você acha, coloco gelo ou bolsa de água quente?

Missão cumprida, parabéns! \o/

Irritação #1
- Tô com uma dor horrível aqui no meu pescoço... o que você acha que é, hein?
- Puxa vida, me desculpe, mas esqueci minha bola de cristal em casa... Infelizmente não vou poder adivinhar hoje, fica pra próxima, pode ser?

Gente, fisioterapeuta não é vidente, sabiam? Se você está com uma dor no pescoço, podem ser inúmeras coisas, que eu, com apenas um olhar, não tenho como saber... É claro que com os anos de experiência (coisa que ainda não tenho, por sinal) a gente até pode ter uma idéia, dependendo do caso. Mas não tenho como dizer que você tem, por exemplo, uma hérnia de disco entre C5 e C6 com retrolistese associada só de olhar pra sua cara, ok?

Porém, felizmente, é bem simples resolver esse problema: procure um médico, e ele provavelmente irá pedir algum exame complementar para te dar um diagnóstico. E então, aí sim a gente pode começar a conversar...

Irritação #2
- Puxa, bem que você podia me fazer uma massagem depois...

Quer irritar um fisioterapeuta? Então sugira que ele é um massagista.

Olha, longe de mim, não tenho absolutamente nada contra os massoterapeutas. É um trabalho muito eficaz, importante e necessário. Além disso, quem não ama receber uma boa massagem, não é mesmo? E é verdade, terapias manuais fazem parte da formação de um fisioterapeuta. Mas vamos apenas dizer que nos atuais cinco anos que passamos na faculdade, aprendemos muitas coisas além disso...

Portanto, vamos assimilar: um massoterapeuta é um massoterapeuta; e um fisioterapeuta é um fisioterapeuta. Ambas são profissões importantes e relevantes, porém são diferentes. POR FAVOR, não confunda os dois. Grata.

Irritação #3
- Ah, e o que você acha, coloco gelo ou bolsa de água quente?
- Oh, sim, amada pessoa, vou te responder agora, numa micro-consulta-relâmpago-grátis - mesmo porque apenas a imensa satisfação de saber que pude te ajudar de alguma forma irá fazer surgir um cheque gordo na minha carteira para pagar minhas contas no fim do mês. Vamos lá...

Vamos por partes:

Primeiro, vamos combinar: esse tipo de conversa sempre surge nas ocasiões mais inapropriadas - geralmente em reuniões sociais, ou encontros casuais rápidos. A pessoa descobre que você é fisioterapeuta, e decide se ~consultar~ ali mesmo, onde estiver. Mas, veja só: eu não te avaliei. Não conheço seu histórico patológico atual e pregresso, ou no máximo conheço superficialmente. Na maioria das vezes, nem ao menos sei o que você tem ao certo. Então, me diga: como é que posso prescrever algum tipo de tratamento assim, só de olhada? Amigo, não dá. É até uma coisa meio irresponsável sair prescrevendo tratamentos assim, sem mais nem menos, sem conhecimento de causa...

E segundo: gente, não é mesquinhez. Mas que mania irritante é essa que as pessoas têm de quererem que você trabalhe de graça. Sério, está com dor? Está precisando de fisioterapia? Então, marque uma consulta com um um fisioterapeuta e pague pelo serviço. Se não puder pagar, procure atendimento pelo SUS - infelizmente, a fisioterapia não é valorizada na rede pública de saúde (nem na rede privada, mas abafa o caso), porém é possível encontrar vagas; outra opção são as universidades, que costumam possuir clínicas onde geralmente os alunos atendem gratuitamente sob a supervisão de seus professores...

É claro, trabalhamos em uma área que muitas vezes lida diretamente com o cuidado, com a dor das pessoas; buscamos a melhora da qualidade de vida dos nossos pacientes, e é realmente muito gratificante ver alguém melhor depois da nossa intervenção, saber que fizemos a diferença na vida de alguém. Mas satisfação apenas não paga as contas. É um trabalho - um trabalho que requer muito estudo, dedicação, tempo... é apenas justo receber uma remuneração por isso. Certo? Então, não fique com essa inconveniência de querer consulta-relâmpago-grátis, porque isso é chato.

* * *

E é isso aí. Aprenderam direitinho? Se alguém aí quiser irritar um fisioterapeuta, é só seguir essas dicas que não tem erro. ;)

19 de set de 2013

Quero ver.

Já ouviu falar de uma história chamada Moça com Brinco de Pérola?

Provavelmente já. Existe um livro, escrito por Tracy Chevalier. E também um filme lançado em 2003, com Scarlett Johansson e Colin Firth no elenco. E, é claro, um quadro muito famoso.


A história é bem interessante. Tendo como ponto de partida a famosa pintura de Johannes Vermeer, a trama trata de recriar a tal moça com brinco de pérola. Quem seria ela? Como ela teria conhecido o pintor? Em quais circunstâncias foi pintado o quadro? O que ela pensava enquanto ele a pintava?

Claro, trata-se de ficção. Mas ainda assim, como disse antes, é bem interessante. Recomendo, tanto o livro quanto o filme. São ótimos.

* * *

Mas minha intenção com esse post não é fazer uma resenha, nem nada do gênero. Não é por isso que estou falando da história, mas sim para destacar um detalhe em especial que sempre me chamou a atenção.

Há uma parte em que Vermeer tenta ensinar a Griet (a protagonista) algumas coisas sobre pintura. E ele diz a ela que um princípio fundamental é pintar aquilo que você , e não o que você sabe.

Interessante, não? Porque, vejam bem, é verdade que sabemos muitas coisas: sabemos que o céu é azul, que as folhas das árvores são verdes, que o tronco é marrom. Sei que meus olhos e meus cabelos são castanhos escuros, sei que as paredes do meu quarto são amarelas, que uma rosa vermelha é vermelha.

Mas... você já parou para realmente ver? Esquecer o que sabe, e apenas enxergar o que está bem ali diante dos seus olhos, ignorando totalmente qualquer carga anterior de conhecimento?

Às vezes me lembro desse trecho da história, e, então, olhando para as paredes do meu quarto, finalmente percebo que elas não são unicamente amarelas: são também brancas, cinzas, têm tons tão escuros que beiram o negro onde as sombras tocam.

E o céu? Já olhou o céu com atenção? Quem disse que ele é azul? Se você olhar bem, em diferentes momentos, vai ver tantas cores que ficará impressionado...

É assim, sabe? Não importa quantas coisas a gente saiba, real mesmo é apenas aquilo que as luzes e as sombras pintam, independente de qualquer outra coisa.

É tão louco quando a gente consegue abrir os olhos de verdade, e apenas ver. Os conceitos preestabelecidos caem por terra; há um mundo ali, que sempre esteve ali, e que você nunca enxergou apenas porque seu conhecimento prévio não te permitia nem ao menos conceber a existência dele...

E, convenhamos: até aqui eu estava falando de um mundo físico, de cores e tons e sombras e nuances e cheiros e texturas... Mas tenho certeza de que não é preciso muita meditação para perceber que aí há também uma importante lição que vai para muito além de um mundo físico.

Imagino quantas vezes não acontece isso com a gente? Ficamos presos no nosso mundinho das obrigações, do possível, do real, do que sabemos... e deixamos de enxergar o que está bem diante do nosso nariz, tão claro, tão óbvio, mas, ainda assim, tão invisível.

Eu me pergunto: será que as respostas para tantas dúvidas e questionamentos que me preocupam todos os dias não estão bem aqui, diante dos meus olhos, e eu apenas não consigo enxergar? Estou cega a elas, enquanto repousam aqui, timidamente, a espera de serem descobertas?

Então, minha grande pergunta é: como faço para enxergar?

Se alguém descobrir, me conte...

* * *


10 de ago de 2013

Faz tempo...

Oi.

Eu sumi, não é?

Mas até aí, não há surpresas. Eu sabia que a vida desse blog seria assim mesmo, permeada de sumiços e ausências. Eu avisei, até.

Nem sei por qual razão vim aqui, porque a verdade é que ainda não tenho nada a dizer. Mas apenas quis vir. Acho que foi por saudade... Ou talvez apenas para assegurar que não deixei isso aqui de lado de vez.

Então, é isso. Por agora, estou calando. Não sei se volto agora, ou se volto depois...

Mas volto.

5 de abr de 2013

The funny tricks of time.

Esses dias eu estava pensando em como o tempo tem uma forma engraçada de tratar as memórias. Já reparou? Ele tem essa mania de manipular o passado, fazendo o que foi bom parecer ainda melhor, enquanto piora o que já foi ruim...

Quer ver?

Para quem não sabe, morei na Itália por alguns meses há cerca dez anos atrás, e posso dizer que aquela foi uma das fases mais felizes da minha vida. Minhas lembranças daquele período são as melhores possíveis: os passeios, os lugares que visitamos, os italianos (gente finíssima!) que conhecemos, os jantares de pizza e massa na casa deles, o frio, os casacos pesados, as lareiras e o cheiro de fumaça no ar gelado da noite, dias e mais dias sem escola, a visita dos meus primos e da minha avó... tantas coisas, essas e outras mais, que ainda hoje me trazem um sorriso ao rosto.

Porém, é claro que nem tudo deve ter sido tão perfeito o tempo todo. Por exemplo, lembro vagamente que fiquei chateada porque minhas duas melhores amigas da época começaram a namorar, e eu, estando longe, fiquei para trás; de sentir medo que minha cachorrinha, que ficou com amigos nossos, me esquecesse e não se adaptasse de novo à minha casa quando eu voltasse; de algumas ocasiões em que senti falta de casa, da família, dos amigos, da igreja.

Mas quer saber? Na verdade, é como se o tempo tivesse lapidado todas as minhas lembranças da Itália, transformando-as em uma espécie de tesouro particular. Tenho que me esforçar para lembrar dos dias ruins, enquanto que os bons vêm com absoluta facilidade.

Só que o contrário também se aplica. Concidência ou não, depois que voltei da Itália passei por uma das piores fases da minha vida: dificuldades para me readaptar à minha vida antiga, dilemas típicos do começo da adolescência, perda de amizades, problemas na escola... Minhas lembranças daqueles dias são tão nebulosas que chega a me embrulhar o estômago se começo a pensar a respeito.

Mas, como na caso anterior, também sei que houve dias bons no meio da tempestade. Tenho lembranças discretas (mas reais) de me sentir alegre assistindo Betty, a Feia, Chocolate com Pimenta e os últimos capítulos de A Casa das Sete Mulheres; de me alegrar cantando músicas da Laura Pausini e da Avril Lavigne no intervalo das aulas junto de outros poucos alunos solitários como eu, de ficar feliz quando por acaso alguém elogiava minha voz; da visita à Biblioteca Nacional e do passeio da escola em Niterói que foi incrível, ainda que eu não me lembre bem dos detalhes...

Entretanto, apesar dessas coisas, não tem jeito: quando lembro desse período da minha vida, geralmente só me vem um gosto amargo na boca. Os momentos alegres não são páreo para os difíceis, não conseguem compensá-los e fazer valer a pena rememorar aqueles dias.

Daí que torno a dizer: engraçado o tempo, não? Não sei se é só comigo que ele arma essas pegadinhas, e ainda não consegui ter certeza se essa característica é boa ou não... Talvez seja. Vai saber.

* * *

3 de abr de 2013

Meu caleidoscópio.

Há alguns anos atrás, eu cismei que queria construir um caleidoscópio. Nem queira saber o motivo, é uma longa história... mas eu decidi que queria, e pronto.

Pesquisei na internet e vi que até que não era tão difícil. Cataloguei o material que iria precisar, imprimi um passo a passo da construção e comecei a atividade: em um dia, pedi à minha mãe para ir comigo comprar um cano de PVC do tamanho certo em uma loja no outro canto da cidade; em outro dia, na volta da escola, parei em uma vidraçaria da vizinhança e encomendei os espelhos e as peças de vidro que iria precisar; em casa, futuquei a caixa de materiais de confecção de bijuterias e separei as pedrinhas mais bonitas, mais coloridas, com os tamanhos e formas que mais combinassem para o meu caleidoscópio.

Enquanto isso, ia ouvindo comentários: Caleidoscópio? Que é isso? Mas pra que serve? E pra que é que você quer isso? Caramba, um trabalhão desses só pra ficar olhando umas pedrinhas coloridas? E por aí vai. Mas não me importei... Ou talvez até tenha me importado, mas não o suficiente para me fazer desistir. Eu ia montar meu caleidoscópio de qualquer jeito.

Então o tempo passou e consegui juntar tudo o que precisava; com o material reunido e um pouquinho de ajuda, mãos à obra! Visor preparado, espelhos encaixados, pedrinhas no lugar, extremidades fechadas... e voilá: estava pronto meu caleidoscópio, lindo e perfeito como eu imaginei.

* * *

Lembro bem de como me senti feliz com meu caleidoscópio pronto nas mãos. Foi uma sensação boa, de realização: eu tinha conseguido. Por mais trabalho que tenha dado para ler e pesquisar. Por mais que eu tenha pulado de loja em loja, gastado dinheiro. Por mais que achassem bobagem. No final, tudo valeu a pena.

E sabe o que foi mais interessante? É que depois do caleidoscópio pronto, praticamente todas as pessoas que achavam uma besteira eu me dar ao trabalho de construí-lo ficaram encantadas com ele. Era um tal de Pega lá o caleidoscópio pra eu ver! ou Já mostrou o caleidoscópio pro Fulano? ou ainda Nossa, que legal. É lindo!

Sabe, pode parecer uma grande bobagem para quem está de fora, mas sinto que construir meu caleidoscópio me ensinou uma grande lição. Hoje em dia ele ainda está aqui, velhinho, meio embaçado pelo tempo, já remendado algumas vezes. Mas sempre que olho para ele, me lembro: se fui capaz de construí-lo, sou capaz de construir outras coisas tão bonitas quanto. Basta querer de verdade.

Talvez seja isso que esteja faltando na minha vida, sabe? Construir mais caleidoscópios...

* * *


19 de mar de 2013

Conselho #4

Começar coisas novas é quase sempre um desafio. Pode ser difícil, pode assustar... Nesses casos, o segredo é: não desistir. Em algum momento, as coisas melhoram. Você só precisa ter coragem e perseverar até lá.

13 de mar de 2013

Pedacinhos de felicidade.

É incrível como a vida pode ser meio louca às vezes, não? Porque ela vem com seus problemas, afazeres, com a correria do dia a dia, e se bobear, quando percebemos estamos tão mergulhados na rotina e nas suas preocupações que deixamos de notar a graça que há nas pequenas coisas, esquecemos de encontrar prazer nos detalhes.

Pensando sobre isso,  perguntei a mim mesma: o que me faz feliz? E não falo de um felizes para sempre de final de comédia romântica hollywoodiana, mas daqueles pedacinhos reais de felicidade que a gente pode garimpar todos os dias se apenas prestarmos atenção...

* * *
Então, vamos lá:

Uma das coisas que me faz mais feliz é a música. Minhas aulas de piano, os ensaios do coral, cantar no chuveiro. Fico leve quando me perco na musica. E não porque seja fácil - inclusive, já contei que o piano me maltrata. Mas ainda assim... a música me liberta. É como se o resto do mundo deixasse de existir por alguns momentos, sou apenas eu e as notas musicais.

Filmes me deixam feliz. Quando a cabeça está muito cheia, basta deitar no sofá e ligar a TV que todo o resto evapora, me entrego à história e esqueço do mundo. The Walking Dead também cumpre esse papel. E Betty, a Feia. E outros.

Livros! São felicidade que se pega com as mãos, se folheia, se cheira. Comprar livros novos, ler, se desligar do mundo...

Cachorros me fazem muito feliz. Nem queira saber o quanto me falta ter um companheirinho de quatro patas... Aliás, bichos em geral me fazem feliz: o gato lindo de morrer que mora no estacionamento e que parece um rei de tão metido, o papagaio da minha vó, que canta ópera e me mata de rir...

Frio me deixa feliz, dias em que é preciso vestir um casaquinho são os melhores. Chuva e cheiro de terra molhada, desde que eu esteja no conforto da minha casa curtindo tudo da varanda. Céu estrelado. Ar-condicionado ligado em dia de calor escaldante.

As gracinhas que a filhinha da minha amiga faz, sua risada tão gostosa que não tem como não ser feliz perto dela.

Achar dinheiro perdido no fundo de uma gaveta. Comprar coisas novas. Ganhar presente. Dar presente pra alguém. Encomendas chegando pelo correio.

Viajar. Conhecer lugares novos, passear, turistar. Tomar café da manhã no hotel. Comprar souvenires. Andar de avião, que me dá medo mas me deixa feliz ao mesmo tempo, sei lá como.

Ir pra igreja e ouvir uma mensagem que fale direto ao meu coração, como se Deus tivesse separado aquela ocasião para falar especificamente comigo.

Brincadeiras sem pé nem cabeça com a minha mãe quando estou de bobeira em casa, rir que nem criança. Conversas à toa, falar de coisas sem grande importância. Estar perto de gente querida, da família. Reencontrar velhos amigos e ter a sensação de que o tempo não passou.

Felicidade.

* * *

Ah, as coisas boas da vida! São elas que importam de verdade, que fazem toda a jornada valer a pena. Por isso, tô indo ali encontrar meus pedacinhos de felicidade escondidos nas coisas pequenas, enquanto as grandes não chegam...

11 de mar de 2013

Conselho #3

E se o plano B também falhar, trate de inventar um plano C, D, E... até o Z, se for necessário. E vá à luta, por mais que pareça difícil. O que não vale é desistir.

20 de fev de 2013

O piano e eu.

Confesso que nem me lembro quando surgiu em mim a vontade de aprender a tocar piano. Mas sei que faz muito, muito tempo... Lembro quando era pequena e ficava espiando de longe o piano da igreja, quando me escondia e arriscava dedilhar algumas teclas com medo de ser pega em flagrante, como se estivesse cometendo um crime ou algo assim. Ah, crianças.

Convenhamos: talento, eu não acho que tenho. Sou bem realista nesse aspecto. Dedicação também me falta, admito: é o velho caso da falta de tempo, ou da preguiça, mesmo. Mas vontade e amor, isso tenho de sobra.

Vivo aos trancos e barrancos com o piano - e olha que já faz uns dois anos desde que nos aproximamos, entre várias indas e vindas. Minha paixão não parece ser recíproca. O piano me maltrata, me dá uma surra toda vez que chego perto. Eu tento dominá-lo, madar nele, mas ele é muito rebelde. Saio exausta após nossos embates... porém, ainda assim, feliz. Como pode ser?

É verdade, o piano é um companheiro difícil e temperamental. Mas quer saber? Vale a pena estar com ele. Porque enquanto aprendo música, aprendo também outras coisas...

Perseverança, por exemplo. Afinal, sempre que pego uma partitura nova é a mesma cena: erro, empaco, sofro, não consigo tocar nem as primeiras notas. Penso que aquela ali é difícil demais, que dessa vez não vou conseguir. Mas basta escolher persistir, me esforçar... e, eventualmente, consigo. Até hoje, sempre consegui, ainda que a passos de tartaruga manca com reumatismo. O que também me ensina superação. E aceitação. Porque por mais que você treine, por mais que faça certo várias vezes, você também erra, não tem como escapar. E para uma perfeccionista inveterada feito eu, aceitar os erros é complicado...

Mas tem a melhor parte, é claro: a satisfação, o prazer indescritível de formar com as suas próprias mãos uma melodia que te aquece a alma, faz brilhar seus olhos e te emociona. Isso não tem preço.

Pois é, meu caríssimo piano... esse post é só para dizer obrigada. Porque além de alegrar meus dias com sua música fantástica, você ainda encontra um tempo para me ensinar a viver.

* * *

5 de fev de 2013

Conselho #2

Tenha sempre um plano B. Você pode precisar.

30 de jan de 2013

Conto #2

Melhor Amor.

Ela era jovem, vinte e poucos anos, razoavelmente bonita. Conheceu Guilherme ainda na escola, e, desde então, nunca mais foi a mesma. A alegria era ele, a calmaria e o porto seguro.

Mas um dia deixou de ser assim. Anos de namoro, e Guilherme decidiu que não queria mais. Chamou-a para uma conversa, disse que ela era especial, mas que não estava mais dando certo, que queria dar um tempo. E deu. Sumiu, não ligou mais, não retornou as ligações. Evaporou.

Para ela, foi um baque. Não esperava. É verdade, vinham tendo alguns problemas. Discutiam, brigavam, queriam coisas diferentes. Algumas amigas até falavam para ela abrir os olhos, que Guilherme há tempos andava pulando a cerca por aí, mas ela  não conseguia acreditar. Ela admitia que as coisas não eram mais tão coloridas como no começo do namoro, mas tinha certeza de que podiam ajeitar tudo. Porque Guilherme ainda era sua alegria, sua calmaria e seu porto seguro.

Sem ele, sentiu-se vazia, oca. Doía o coração dentro do peito, dor que transbordava pelos olhos em lágrimas sem fim, em conversas pelas madrugadas com as amigas. Doía a falta de rumo, o medo da solidão.

Mas não por muito tempo. Resolveu que ainda podia ajeitar as coisas, mudar, tornar-se a mulher que Guilherme sempre desejou. Iria reconquistá-lo - e, com ele, sua alegria.

Acordou naquela manhã e olhou-se no espelho, o rosto inchado, os cabelos bagunçados. Tratou de se arrumar. Lavou, hidratou e escovou os cabelos, cuidou da pele, perfumou-se, fez as unhas, colocou sua roupa mais bonita. Sentiu-se melhor.

Parou de gastar as noites em claro chorando, resolveu se distrair. Comprou aqueles livros que estava querendo há tempos e encontrou tempo para lê-los, assistiu novos filmes deitada na cama com um pijama de flanela até altas horas, e, de vez em quando, presenteava a si mesma com um brigadeiro de panela.

Dedicou-se com mais afinco ao trabalho, agora que tinha mais tempo livre, e começou a se destacar. Resolveu entrar para uma academia, perdeu uns quilinhos. Começou as aulas de canto que sempre quis fazer, mas que Guilherme nunca apoiou porque achava bobagem.

Voltou a sair com as amigas, coisa que praticamente não fazia mais desde o começo do namoro. Cinema, teatro, restaurante, festinha. Teve aquele dia em que apenas foram à cafeteria comer brownie com sorvete de creme e riram até doer a barriga. Ou aquela vez em que foram a um barzinho e um rapaz bonito de olhos verdes veio tirá-la para dançar.

Cortou os cabelos e fez luzes - Guilherme não gostava que ela mudasse o corte, mas sentiu-se mais bonita mesmo assim. Passou mais tempo com a família, gastou um dia de folga fazendo trabalho voluntário num orfanato. Viajou. Conheceu gente nova. Começou a frequentar uma igreja. E quando percebeu, sentia-se feliz. O tempo passou, serenou.

E então, meses depois, aconteceu. Tinha ido àquela festa com as amigas, e lá estava ele, bonito como sempre. O coração disparou. Guilherme encarou-a e sorriu. Não tirava os olhos dela, foi chegando de mansinho. Puxou conversa, disse que ela estava diferente, mudada. Flertou. Perguntou se podia telefonar, e ela concordou.

Guilherme ligou no dia seguinte, marcaram um encontro. Lá veio ele, bonito, cheiroso, charmoso. Passado pouco tempo, foi direto ao ponto: "Não sei onde estava com a cabeça, fui um louco em te deixar. Você é incrível, especial, e eu nunca te esqueci. Volta pra mim..."

Ela o encarou com olhos brilhantes. Era isso. Era o momento pelo qual tinha esperado durante todo aquele tempo. Sentiu-se triunfante, conseguira trazê-lo de volta. Ali estava ele, sua alegria, tudo o que ela sempre quis.

Entretanto...

Olhou-o bem. É o mesmo Guilherme de sempre que estava a sua frente, atraente, divertido, que chama a atenção por onde passa. Mas também é o mesmo Guilherme que acha aula de canto uma bobagem, que não se conteve em comentar que preferia o cabelo dela como era antes. O mesmo Guilherme que provavelmente pulava a cerca quando namoravam, o mesmo com quem discutira, brigara, e que queria coisas diferentes. Em essência, o mesmo.

Mas ela não era mais a mesma.

De repente, soube com absoluta clareza o que dizer. Com um discreto sorriso nos lábios, respondeu:

- Não.

E deu meia volta, deixando um Guilherme um tanto aturdido para trás, ainda sorrindo consigo mesma e um tanto surpresa. Porque no afã de ser a mulher que ele queria, acabou se tornando a pessoa que sempre quis ser. Sua própria alegria, sua calmaria e seu porto seguro. Percebeu que tudo o que precisava sempre esteve bem ali, a seu alcance.

Ah, havia descoberto para si um amor melhor que o de Guilherme ou outro do tipo - o amor próprio.

26 de jan de 2013

Conselho #1

Se você tem um monte de sonhos impossíveis de realizar... Talvez esteja na hora de arrumar novos sonhos e ser feliz.

2 de jan de 2013

Escolhas

Escolhas. Todos nós passamos por esses momentos cruciais na vida, onde é preciso fazer escolhas que irão interferir profundamente em tudo o que vai acontecer dali para frente. Casamento. Investimentos. Filhos. Profissão.

Meu momento é justamente de escolhas profissionais. Escolhas difíceis. Não vou entrar em detalhes, porque é tudo muito complicado. Mas no momento, sinto como se estivesse seguindo por uma estrada que me oferece três caminhos, e preciso escolher qual deles seguir...

* * *

- Posso continuar seguindo em frente, na mesma direção. Continuar o que estou fazendo. Provavelmente é o caminho mais cômodo, já que é o que todos esperam que eu faça. Mas eu sei que continuando nesse rumo, provavelmente serei muito pouco feliz - ou mesmo infeliz.

- Posso tentar um caminho totalmente novo. Jogar tudo para o alto, dar meia volta e tomar uma direção oposta, sendo provavelmente considerada louca, talvez mal-agradecida e inconsequente por abandonar tudo a essa altura. Prosseguir por esse novo caminho em busca de um ideal. Arriscar ser incrivelmente feliz, satisfeita e realizada se tudo der certo... ou profundamente frustrada e pobre se tudo der errado.

- Tentar um outro caminho menos suntuoso, sem curvas dramáticas. Um meio termo, estável, tranquilo, direto, que provavelmente não vai me trazer grandes alegrias, mas que também não deve me trazer grandes dores de cabeça.

* * *

Ah, escolhas. Por que são tão difíceis?

Eu acho que a vida deveria vir com uma espécie de roteiro, indicando qual seria o resultado de cada escolha. Desse jeito, poderíamos viver sem medo de ter alguma surpresa desagradável pela frente e descobrir que tomamos a decisão errada.

Fica a sugestão, Deus! ;)

* * *