16 de set de 2012

Conto #1

Conto (quase) de terror.

Certo dia como outro qualquer, a moça parte para mais um dia de trabalho no hospital.

Está muito cansada. Foi dormir tarde na noite anterior, mais de 01:00h da madrugada, e levantou antes das 05:00h. Depois de uma longa viagem de ônibus, chegou ao trabalho por volta das 07:30h, ainda a tempo de tomar café da manhã no refeitório antes de subir pra labutar na unidade neurológica de terapia intensiva.

O café da manhã, mais sem graça impossível: pão careca com manteiga. Ela não gosta de café, então toma um refresco, o que não a ajuda em nada a despertar - continua mais dormindo que acordada.

Termina de comer e sai do refeitório, que dá direto nas escadas de serviço do primeiro andar. A unidade em que ela trabalha fica no quarto andar - que na verdade é o quinto, porque tem um andar intermediário no meio. É ruim que ela vai subir aquela escadaria toda. Então, como de costume, planeja subir só até o segundo andar, e dali pegar um dos elevadores de serviço.

Sobe os degraus bocejando, e pára diante da porta corta-fogo que isola as escadas do resto do ambiente. Ela sabe o que vai encontrar: o hall de espera, onde durante a tarde os familiares aguardam para poder visitar seus conhecidos na unidade pós-operatória, que fica naquele andar.

Abre a porta, distraída. Lá está o hall com os sofás desertos, a recepção vazia e silenciosa como era de se esperar àquela hora da manhã. Tudo perfeitamente normal. A não ser por uma coisa...

Uma estranha figura vem vindo pela lateral, bem na direção da moça. Um homem. Seus passos são lentos, incertos, arrastados, meio trôpegos. Os ombros tortos, curvados num ângulo simplesmente... errado. Ele caminha olhando fixamente para a frente, até perceber a chegada dela com um relancear furtivo do canto dos olhos.

O pensamento cruza a mente dela como um flash, enquanto o coração dá um tranco dentro do peito: Ai meu Deus, um zumbi!

. . .

Mas, não. Claro que não.

O susto dura apenas um milésimo de segundo, até ela perceber o uniforme cinza perfeitamente limpo e sem sinais de mordidas sangrentas, o crachá pendurado no peito. E perceber que é ridículo, é óbvio que não é um zumbi. É apenas um dos muitos funcionários com deficiência física empregados no hospital. Por isso ele vinha mancando, por isso a postura estranha.

Coitadinho.

A moça começa a rir de si mesma, baixinho. O homem olha pra ela, desta vez diretamente, sem entender nada. Provavelmente assustado, achando que topou com uma louca de pedra vagando pelo hospital pouco movimentado da manhã. Talvez, ele tenha alguma razão...

Ela vai embora, ainda com um sorrisinho no canto dos lábios, seguindo para o lado onde ficam os elevadores de serviço. Agora, finalmente, está bem acordada. Os benefícios de um bom susto. Respiremos aliviados: o apocalipse zumbi não começou. Pelo menos, não ainda...

Moral da história: está na hora de a moça assistir menos The Walking Dead.

9 de set de 2012

Eu voltei...

Pois é, estou de volta.

Pra quem me conhece, olá amiguinhos! Senti saudades. *-*

Pra quem não conhece, sou a Fernanda, dona do falecido adormecido Coisas Minhas - um blog que nasceu com a intenção de ser aleatório e acabou se tornando literário vai saber como. E blog literário dá muito trabalho, e a vida ficou muito corrida, e aí foi tudo pra gaveta meio que sem querer querendo.

Mas blogar é viciante, vamos combinar. Quando a gente começa, é difícil ficar longe.

Como o Coisas Minhas desandou no meu coração, resolvi recomeçar do zero. Um espaço novinho em folha, com um nome novinho em folha, tinindo e brilhante feito moeda nova. Aqui vai ser diferente, puro blá-blá-blá: cotidiano, atoísmos, opiniões, casos, contos, mimimis. Talvez uma ou outra resenha, mas provavelmente não - pra isso, seria melhor ressuscitar o Coisas Minhas. Quem sabe um dia? Enfim: aqui no Inescrita, eu vou escrever o que me der na telha. E o mais importante: quando me der na telha, se me der na telha. Porque essa é a regra principal desse canto: sem obrigação, sem compromisso, sem dor de cabeça. Posso aparecer hoje, amanhã e depois, e aí sumir por seis meses, sem culpa. Só liberdade. Acho que só assim pra dar certo comigo outra vez...

Portanto, é isso aí.

Eu voltei... e agora é pra ficar. Porque aqui, aqui é o meu lugar.

Bem, ou não. Vejamos. O tempo dirá!

Beijocas.